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Grupo encapuzado invade Batalhões da polícia, leva carros e esvazia pneus no Ceará


Cerca de dez veículos foram levados do 22º Batalhão da PM, em Fortaleza. Já no 17º Batalhão, suspeitos mascarados invadiram o pátio e esvaziaram pneus de viaturas oficiais e de carros particulares.
Foto: Reprodução
Um grupo encapuzado com cerca de 30 pessoas invadiu a sede do 22º Batalhão da Polícia Militar, no Bairro Papicu, em Fortaleza, e levou 10 veículos da corporação de dentro do local na madrugada desta quarta-feira (19). Agentes que trabalham no local relataram que os homens não aparentavam estar armados e não houve truculência na ação.

Além disso, em Caucaia, Região Metropolitana, e em bairros de Fortaleza, carros da polícia tiveram os pneus furados. Em cinco cidades do interior, Batalhões amanheceram fechados.

No 17º Batalhão da PM, localizado no Bairro Conjunto Ceará, cerca de 20 suspeitos mascarados invadiram o pátio e rasgaram com facas os pneus de carros da polícia e veículos particulares de agentes.

As ações foram realizadas após o início da tramitação, na Assembleia Legislativa do Ceará, da proposta de reajuste salarial de policiais e bombeiros militares do estado, na terça-feira. O projeto tem gerado crise entre parte da categoria e o governo estadual. De acordo com decisão da Justiça do Estado do Ceará (TJCE), agentes de segurança que promoverem manifestações e paralisações poderão ser presos. Ao todo, 150 policiais já tiveram inquéritos instaurados e três foram presos por furar pneus de carros da PM.

Pneus esvaziados em Caucaia e Fortaleza
Também foram registradas ações na noite desta terça-feira (18). Pneus de veículos da PM foram esvaziados no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O caso aconteceu no 12º Batalhão.

Na tarde, três policiais foram presos depois que secaram pneus e abandonaram um carro da polícia no cruzamento das avenidas Sargento Hermínio e Coronel Carvalho, no Bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza. Eles estavam armados e usavam balaclavas, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública.

Os soldados, que atuam no 14º Batalhão da PM, em Maracanaú, na Grande Fortaleza, foram presos em flagrante por equipes do Comando de Polícia de Choque (CPChoque).
Equipes da Polícia Civil durante operação para reforço na segurança na madrugada desta quarta-feira (19) — Foto: Divulgação

Inquéritos contra policiais envolvidos em crimes

O Governo do Ceará informou, na noite desta terça, que irá instaurar inquérito policial militar, bem como processos administrativos disciplinares, contra todos os agentes de segurança que se envolverem em atos que configurem crime militar. Somente nesta terça, 150 policiais já tiveram inquéritos instaurados.

Ainda de acordo com o Governo, os policiais que abandonarem o serviço também passarão por todas as sanções previstas em lei, além da exclusão da folha de pagamento pela Secretaria de Planejamento. "Os comandos não irão tolerar atos de indisciplina e quebra de hierarquia", diz nota enviada pelo governo.

Polícia Civil nas ruas
No início da noite desta terça, cerca de 21 equipes formadas por inspetores, escrivães e delegados de Polícia Civil passaram a reforçar a segurança, de forma ostensiva e preventiva, no estado.

Os agentes atenderam à convocação do governador Camilo Santana para realizar ações preventivas na capital cearense, Região Metropolitana e acidades do interior, como Juazeiro do Norte e Sobral.

Além de atuar nas ruas, os policiais civis darão apoio às delegacias plantonistas. A operação terminou às 6h desta quarta-feira (19).

Decisão contra protestos

A Justiça determinou, na segunda-feira (17), que os policiais se abstenham de realizar protestos e atos grevistas. Também ficou decidido que, em caso de manifestação por aumento salarial, os policiais poderão ser presos.
Policiais ocupam avenida durante ato por aumento salarial — Foto: Gustavo Pellizzon/SVM
Conforme a decisão da Justiça, fica determinado:
que as associações se abstenham de atuar ou promover reuniões voltadas para discussão de melhorias salariais;
que se abstenham de financiar ou de participar de assembleias para debater greve da categoria;
que, em caso de paralisação da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar, as associações demandadas abstenham-se de promover, de atos grevistas.

A decisão da Justiça ocorre em meio a atos de policiais que reivindicam uma reestruturação salarial da categoria. A proposta foi enviada à Assembleia Legislativa pelo governador do Ceará, Camilo Santana, na semana passada.

Conforme a proposta, o salário-base de um soldado será de R$ 4,5 mil, com aumento progressivo até 2022. O salário atual da categoria é de R$ 3,2 mil. A proposta inicial, rejeitada pelos policiais, era aumento para R$ 4,2 mil até 2022.

Fonte: G1 Globo

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