Pavussu decreta estado de calamidade após fogo devastar lavouras, criações e colmeias no sertão do estado
Um incêndio de grandes proporções tem devastado a zona rural dos municípios de Pavussu e Canto do Buriti, no sertão do Piauí, há mais de uma semana. O fogo comprometeu lavouras inteiras, dizimou plantações e atingiu diretamente as principais atividades econômicas da região: a agricultura, a pecuária e, especialmente, a apicultura. Diante da situação crítica, a prefeitura de Pavussu decretou estado de calamidade pública. De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o incêndio já consumiu uma área de aproximadamente 98 km², o equivalente a mais de 13 mil campos de futebol. Já a Sala de Monitoramento de Eventos Climáticos Extremos da Defesa Civil do Piauí e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) calculam uma área devastada de 69 km². Entre os mais afetados estão os apicultores, que viram anos de trabalho ruírem em questão de horas. Dalila Pereira de Sousa, que na última safra havia colhido 22 tambores de mel com peso entre 280 e 300 kg cada, relata que a produção deste ano está praticamente perdida.
— As abelhas foram embora, não sobrou vegetação. Perdemos quase 7 toneladas de mel. É uma perda imensa pra gente que vive disso — lamenta.
O apicultor Valdir Alves também contabiliza prejuízos. Com 20 caixas de abelhas queimadas, estima perdas de cerca de R$ 8 mil.
Na agricultura, os impactos também são severos. Segundo o decreto municipal, 90% das lavouras de milho, arroz e feijão foram destruídas pelas chamas. O prefeito Winicius Miranda (PSD) destacou que as perdas comprometem o sustento de inúmeras famílias que dependem da terra para sobreviver.
— Nossa economia é baseada na agricultura familiar, na criação de animais e na produção de mel. Esse incêndio atingiu o coração da nossa cidade — declarou.
O fogo também chegou aos criatórios de animais. Anderson Mendonça, criador de porcos, perdeu parte do plantel.
— Eu tinha 33 porcos. Consegui salvar 18, mas o resto… só encontrei as carcaças. Foi uma correria, tristeza demais — contou emocionado.
As autoridades seguem monitorando o incêndio e pedem apoio estadual e federal para conter o avanço das chamas e prestar assistência às famílias atingidas. Enquanto isso, os moradores convivem com a fumaça, o medo e a incerteza do recomeço
Foto: Reprodução de redes sociais
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