O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23) que o mundo atravessa um momento “muito crítico” do ponto de vista político e avaliou que o multilateralismo vem sendo substituído por ações unilaterais nas relações internacionais. Segundo ele, a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”, dando lugar à chamada “lei do mais forte”.
Durante evento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), em Salvador, Lula citou crises políticas recentes na América Latina e mudanças no cenário eleitoral de países centrais, como os Estados Unidos, como exemplos de instabilidade democrática global.
O presidente fez críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionando declarações recentes no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nas quais o líder norte-americano manifestou interesse na Groenlândia e apresentou propostas envolvendo a Faixa de Gaza. As falas geraram preocupação na comunidade internacional.
Para Lula, o atual contexto contraria a agenda histórica do Brasil de fortalecimento da ONU, especialmente a ampliação do Conselho de Segurança com a entrada de novos países. Ele afirmou que, em vez de reformas, há iniciativas que enfraquecem o papel do organismo internacional.
O presidente também disse ter intensificado contatos diplomáticos com líderes mundiais, incluindo representantes da Rússia, China, Índia, Hungria e México, com o objetivo de articular uma reação em defesa do multilateralismo e do diálogo entre nações.
Lula reforçou que a política externa brasileira busca manter relações com diferentes países, sem alinhamentos exclusivos, mas ressaltou que o Brasil não aceita relações de subordinação. “O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia”, afirmou.
Ao comentar discursos que exaltam o poder militar, o presidente disse não defender guerras e afirmou que o Brasil aposta na diplomacia e no diálogo. “Eu sou um homem da paz. O que eu quero é fazer a guerra do convencimento, com argumentos, mostrando que a democracia é imbatível”, concluiu.

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