Governo Trump recua de acusação sobre Maduro chefiar Cartel de los Soles

 


Mesmo assim, ditador venezuelano segue acusado de conspiração por tráfico de drogas


Em um movimento que surpreendeu analistas internacionais, o governo dos Estados Unidos retirou uma das acusações mais contundentes que vinha sendo usada contra o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro: a de chefiar um cartel de drogas denominado Cartel de los Soles.


A mudança foi feita no início de janeiro de 2026, logo após a captura de Maduro por forças militares americanas em Caracas — uma ação sem precedentes que suscitou críticas de governos e especialistas em direito internacional. 


No documento revisado pelo Departamento de Justiça, a acusação explícita de que Maduro seria o líder de uma organização criminosa estruturada foi removida. Em vez disso, os promotores passaram a descrever um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” alimentados pelo narcotráfico, nos quais altos funcionários civis, militares e de inteligência venezuelanos se beneficiam de redes de tráfico de cocaína. 


Segundo as novas alegações judiciais, Maduro — assim como seu antecessor Hugo Chávez — teria “participado, perpetuado e protegido” essa cultura corrupta, sem que isso necessariamente represente a liderança formal de um cartel organizado no estilo das grandes facções criminosas da América Latina. O termo Cartel de los Soles, que faz referência às insígnias de sol usadas por generais das Forças Armadas venezuelanas, agora aparece apenas como uma expressão genérica para esse conjunto difuso de práticas ilícitas, e não como um grupo liderado diretamente por Maduro. 


Apesar do recuo sobre a figura do líder de um cartel, o ex-presidente continua enfrentando acusações graves nos Estados Unidos, incluindo conspiração para tráfico de drogas e narcoterrorismo. Ele e sua esposa, Cilia Flores, que também foi detida, negam todas as acusações. 


A alteração no teor das acusações ocorre em meio a um cenário geopolítico tenso, com reações internacionais variadas à operação americana em solo venezuelano. Enquanto a Casa Branca apresenta a ação como parte da guerra contra o narcotráfico, críticos apontam para riscos de precedentes em intervenções externas e questionam a própria legalidade do uso de forças militares para efetuar prisões fora do território americano.

Foto: Reprodução de redes sociais. 

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