Vento de tornado que atingiu São José dos Pinhais chegou a 180 km/h e é classificado como F2, diz Simepar



A intensidade do tornado que atingiu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (10), foi classificada como F2 na Escala Fujita, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). De acordo com o órgão, os ventos chegaram a 180 km/h, e o fenômeno percorreu cerca de 1 quilômetro, sem tocar o solo durante todo o trajeto.


“Essa escala [F2] vai de 180 km/h até 220 km/h. Então, a gente classifica o tornado como F2, na faixa mais baixa da categoria, com ventos em torno de 180 km/h”, explicou o meteorologista Leonardo Furlan, do Simepar.


A Escala Fujita, utilizada no Brasil, mede a gravidade dos tornados com base nos danos provocados. Quanto maior o nível de destruição, maior a classificação atribuída ao fenômeno. A escala varia de F0 a F5.


O tornado causou diversos estragos no município, principalmente no bairro Guatupê. Segundo o Corpo de Bombeiros, entre 250 e 300 residências foram afetadas por destelhamentos, e duas pessoas ficaram feridas — uma com ferimentos moderados e outra com ferimentos leves.


Além do Guatupê, equipes registraram quedas de árvores, danos à rede elétrica, desabamento de muros e a queda de telhado e pilares de uma empresa em bairros próximos. Ao todo, duas famílias ficaram desalojadas. Para atender os moradores atingidos, bombeiros e a Defesa Civil distribuíram 92 lonas.


Em nota, a Prefeitura de São José dos Pinhais informou que atua no atendimento às ocorrências e realiza vistorias técnicas para avaliar riscos estruturais e definir as medidas necessárias para garantir a segurança da população.


“A Prefeitura de São José dos Pinhais permanece em monitoramento contínuo, com equipes de prontidão, e seguirá acompanhando a situação, adotando todas as medidas necessárias para minimizar os impactos e prestar o suporte adequado à população”, informou o município.



Como funciona a classificação



Existem duas formas principais de classificar tornados: a Escala Fujita (F) e a Escala Fujita Aprimorada (EF). No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente, e o Simepar utiliza a escala tradicional.


Segundo o Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos (NWS), a classificação é feita a partir da análise dos estragos deixados pelo tornado. Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas, galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no local por, pelo menos, três segundos. A partir dessa estimativa, o fenômeno recebe uma categoria.


Escala Fujita (F):


  • F0: 65 a 116 km/h — danos leves
  • F1: 116 a 180 km/h — danos moderados
  • F2: 180 a 253 km/h — danos consideráveis
  • F3: 253 a 332 km/h — danos severos
  • F4: 332 a 418 km/h — danos devastadores
  • F5: 418 a 511 km/h — destruição extrema



A Escala Fujita Aprimorada (EF) é usada oficialmente em países como os Estados Unidos desde 2007. Ela também varia de EF0 a EF5 e segue o mesmo princípio de estimar a força do tornado com base nos danos observados, e não em medições diretas do vento.


De acordo com o NWS, a escala EF utiliza 28 indicadores de danos, que consideram diferentes tipos de construções e estruturas. Como foi desenvolvida com base em padrões construtivos dos Estados Unidos — onde as casas, em geral, não são de alvenaria —, sua aplicação em outros países exige adaptações nos parâmetros.



Nuvem em formato de funil



Uma grande nuvem em formato de funil assustou moradores, que registraram imagens mostrando galhos e outros objetos sendo arremessados em movimentos circulares. A forte chuva também provocou a queda de ao menos 57 árvores em Curitiba, onde as rajadas de vento chegaram a 70 km/h ao longo do dia.


Todo o estado do Paraná está sob alerta laranja de tempestades, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indicando risco de temporais ainda neste domingo (11).


Segundo o meteorologista Reinaldo Kneib, um dos fatores que contribuem para os temporais é a formação de um ciclone extratropical entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. Apesar de não atingir diretamente o Paraná, o sistema aumenta a instabilidade atmosférica no estado.


“A combinação de calor e umidade favorece as chuvas típicas de verão, geralmente rápidas e no período da tarde. Elas podem vir acompanhadas de granizo, rajadas de vento moderadas a fortes e grande incidência de raios”, explicou.


Mesmo com o afastamento da área de baixa pressão em direção ao oceano, na altura do litoral uruguaio, os índices de instabilidade seguem elevados, mantendo a previsão de temporais com chuva, raios e ventos fortes na maior parte do Paraná.



Telefones para emergências



  • Defesa Civil: 199
  • Corpo de Bombeiros: 193
  • Copel (energia elétrica): 0800 51 00 116



Moradores também podem receber alertas da Defesa Civil do Paraná diretamente no celular. Para isso, basta enviar um SMS com o CEP da região para o número 40199.

Foto: Reprodução de redes sociais. 

Postar um comentário

0 Comentários