Fábio Lima, goleiro do Atlético de Alagoinhas comenta sua trajetória profissional e bicampeonato do Carcará


Vencedor pela segunda vez no Campeonato Baiano, o Atlético de Alagoinhas tem construído diversos talentos ao longo dos anos. Estrela no atual elenco, o goleiro Fábio Lima de 37 anos, foi um dos grandes destaques no time desde 2020, quando voltou de uma temporada nacional.


O jogador nascido no distrito de Olhos D’Água, no município de Aramari, tem se dedicado ao esporte desde os 19 anos, quando começou sua carreira no Atlético de Alagoinhas em 2004. Desde que saiu do time em 2008, passou por clubes de Fortaleza, Paraíba, Goiás e Piauí. 


Mas sua carreira não começou com o caminho fácil. Através do apoio do atual vice-prefeito de Aramari, Mirivaldo, na época liderança política e vereador da cidade, o goleiro conseguiu participar de uma seleção no Atlético.” Comecei a jogar no júnior com 19 anos e fiquei no Atlético até 2008”, relembra Fábio.“Na época eu trabalhava em uma fazenda(...) fazia tudo, e então ele me levou para lá”.


Apesar de ser uma surpresa para alguns, seu retorno ao Atlético já fazia parte de seus planos. “Quando eu saí, eu falei para Régis que ia encerrar minha carreira no Atlético. Não sei se ele acreditou, ou não e agora eu voltei em 2020”, diz. Régis era o antigo treinador do clube e que está hoje enquanto sócio do time.


Segundo ele, seu trabalho, mesmo sendo reconhecido e parabenizado, veio através de muito sacrifício. Agora, de acordo com ele, a sua pretensão é se aposentar do posto de goleiro e encontrar novas atividades profissionais.  “Eu falo direto com meus colegas que meu fim de carreira foi triste no Atlético. A gente está na bahia, sabe as dificuldades que é, está em time pequeno mas a gente vai superando essas dificuldades e vai conseguindo nossos objetivos”, diz ele.


TIME VENCEDOR MAS AINDA ENFRENTA DESAFIOS


Em 2022, o Atlético de Alagoinhas fez história ao vencer pela segunda vez o Campeonato Baiano de Futebol. Na frente de times grandes do estado como Bahia e Vitória, o Carcará ocupou o posto do primeiro clube do interior da Bahia a conquistar o feito, além de fazer parte do Brasileirão. 


Porém, de acordo com Fábio, os dois títulos conquistados pelo time e o legado em processo não foram suficientes para alavancar financeiramente o clube. “A gente pensou isso quando foi campeão no ano passado, mas infelizmente as  coisas não saíram como a gente imaginava. O Atlético é um time pequeno e temos que ficar sempre com os pés no chão sabendo o que pode acontecer”.


TALENTO COMPROVADO


Como goleiro, Fábio enfrentou diversas críticas. O jogador de 37 anos é considerado de baixa estatura para a altura de goleiro profissional. “No início foi difícil para mim. Muitas pessoas não acreditam em mim, falavam que eu era goleiro de botão, né, por ser pequeno. porque hoje os goleiros são de 1,90 para cima e eu tenho 1,84“, explica ele. “Ai eu fui conquistando aos poucos com meu trabalho, mostrando jogo após jogo e graças a deus eu tenho apoio de todos”.


Outro ponto de atrito tem sido a idade do jogador. Apesar de estar acima da média, Fábio aponta seu treinamento e cuidado como formas de não estar em dívida com jogadores mais jovens. “Goleiro tem que ter coragem e isso eu tenho. Eu treino muito, meu treinador de goleiro às vezes reclama porque ele quer parar de treinar e eu não. Quanto mais eu treino, mais me sinto bem”, diz ele.  “Eu sempre me cuidei, desde que comecei abdiquei de muita coisa. Passei 16 anos sem beber(...) mas não deixo de trabalhar de jeito nenhum. Meu corpo hoje é de um cara de 25 anos”.


Apesar das desconfianças iniciais, o goleiro sinaliza que atualmente o grupo e os torcedores confiam nele e em seu trabalho. “O grupo todo confia em mim, em meu trabalho”, diz ele. “No início do primeiro tempo, Agnaldo, treinador da gente, me chamou e me disse para ficar mais no meio do gol. Aí eu falei, “confie em mim, o que eu tenho é rapidez” e ele disse “beleza”, relembra. O resultado da confiança foi uma das defesas mais lembradas de toda a disputa.


De acordo com ele, seus principais pontos de referência e dedicação são a família. "Família é nossa base de tudo. Hoje a primeira coisa que fiz quando acordei foi ir lá levar o troféu de melhor goleiro e a medalha para ele ver, isso é o que importa. gente estar bem com nossa família sempre”, atesta o goleiro. Outra pessoa que também fez a diferença em sua trajetória foi o vice-prefeito Mirivaldo.  “Mirivilado é raiz, aqui em Olhos D’Água é liderança da gente, tudo o que precisa a gente vai até ele. É um paizão, está sempre com a gente nos apoiando em tudo”;

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